Method and Improvisation

Português

Choose a mode and then play some riffs and some licks. Jive on.

It’s funny how Jazz terms are extremely familiar to me and are easily understood. And mind that in reality I may be completely misunderstanding them since I can barely carry a tune when I whistle and have no musical background whatsoever. In my ignorance, the way I think about painting seems to have close connection with musical improvisation.

Like in a game, you set the initial conditions and rules, but you cannot know how the game is going to play out. Its almost as if in voluntarily restricting the number of possible options by setting up certain rules, certain limits to creation, the playing became much more focused and fun.

To choose a Mode (in the musical sense), is to chose the scale, the general tonality that establishes the emotional quality or mood. In painting this is sometimes established through a predominant colour that establishes the atmosphere of the piece and that unifies it. In my case I establish this through a colored Imprimatura. Imprimatura is this veil of paint that covers the white background of a painting.

Another thing that establishes this general mood is this grid that I have been using and that sets a basic beat over which the lines of the composition will develop their rhythmic variations.

Mauricio Piza, Variações sobre uma Bananeira, Banana Tree Variations, 2014, 1,50 X 2,00 m

Mauricio Piza, Variation on a Banana Tree, 2014, 1,50 x 2,00 m

Play some Riffs and some Licks. A riff é thematic, it’s a recurring phrase or pattern, característic and easyly recognizable: the evident and ondulating banana leaves; the prisms and hard sharp retangles  of the buildings and skyscapers.

Licks are the not so identifiable and are incomplete forms: they are chords and progressions; the curves and geometries that create a whole world of vegetable and urban forms, signs, clouds and trees and that in their ambiguity create this place that is no place, yet strangely familiar.

To Jive is this playful improvisation in music and speech. I go on finding the composition as I go along, in other words, I have no idea of the final result. As I avoid correcting or changing anything, the possibilities decrease as the work progresses. Everything stays there until the very end. It feals like pilling blocks, always on the verge of the whole thing collapsing.

Mauricio Piza, Variação sobre uma Bananeira, 2014 ainda em processo, 1,50 X 2,00 m

Mauricio Piza, Variation on a Banana Tree, 2014, in process, 1,50 x 2,00 m

Musical improvisation happens in real time and allows no correction. Nothing in this paintings is really corrected. So in a sense they are a kind of slow motion improvisation, in the time of painting which is, of course, different. The adjustment always occurs much more on the color and value, and on the contours: the game of focusing and unfocusing, creating ambiguity, reiterations, and so on.

Mauricio Piza, Variação sobre uma Bananeira, 2014, em processo, 1,50 X 2,00 m

Mauricio Piza, Variation on a Banana Tree, in process, 1,50 x 2,00 m

As Juan Gris used to say: “Until the work is completed he [the painter] must remain ignorant of its appearance as a whole”.

This tension between method and improvisation is something that interests me greatly.

Jive on!

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Método e Improvisação

English

Choose a mode and then play some riffs and some licks. Jive on.

Escolher um modo, tocar alguns temas e mandar ver na improvisação.

É curioso como a terminologia do Jazz é para mim extremamente familiar e de fácil entendimento. E olha que pode muito bem ser que o meu entendimento esteja completamente errado, já que eu mal e mal assovio uma melodia e não tenho nenhuma formação musical. Dentro da minha ignorância, a maneira como eu encaro a pintura parece ter estreita ligação com a improvisação musical.

Como em um jogo, você estabelece as condições e as regras iniciais, mas não tem como saber exatamente como a partida vai se desenrolar. É como se, ao restringir voluntariamente o número de opções possíveis, ao estabelecer certas regras, certos limites para a criação, a brincadeira ficasse muito mais focada e prazerosa.

Escolher um Modo (no sentido musical), é escolher uma escala, a tonalidade geral que define a tonalidade emocional ou mood. Na pintura esse papel é as vezes feito pela cor predominante que estabelece a atmosfera da peça e que a unifica. No meu caso, estabeleço isso através de uma imprimatura colorida; imprimatura é esse véu geral de tinta sobre o fundo branco da tela. Outra coisa que estabelece esse tom geral tem sido a grade subjacente à pintura, que estabelece uma batida fundamental sobre a qual as variações rítmicas das linhas da composição vão acontecer.

Mauricio Piza, Variações sobre uma Bananeira, Banana Tree Variations, 2014, 1,50 X 2,00 m

Mauricio Piza, Variações sobre uma Bananeira, 2014, 1,50 X 2,00 m

Play some Riffs and some Licks. Um riff é temático, é uma frase ou um padrão recorrente, característico e facilmente reconhecível: as evidentes e ondulantes folhas de bananeiras; os prismas e retângulos duros dos edifícios e das construções.

Já um Lick são formas incompletas e menos identificáveis, são acordes e progressões. No caso, as curvas e geometrias que criam todo um universo de formas vegetais e urbanas, placas, nuvens e árvores, que, na sua ambiguidade, geram esse lugar que é um lugar nenhum, mas estranhamente familiar.

Jive é essa improvisação brincalhona na música e na linguagem. Eu vou resolvendo a composição conforme eu vou indo, ou seja, não tenho a menor ideia do resultado final. Como eu evito ao máximo refazer algo, corrigir, as possibilidades vão se reduzindo conforme o trabalho caminha. Tudo que é feito permanece até o final. A sensação é a de ir empilhando toquinhos, sempre a um passo da coisa toda despencar.

Mauricio Piza, Variação sobre uma Bananeira, 2014 ainda em processo, 1,50 X 2,00 m

Mauricio Piza, Variação sobre uma Bananeira, 2014 ainda em processo, 1,50 X 2,00 m

A improvisação musical ocorre em tempo real e não permite correções. Nada nessas pinturas é realmente corrigido. São, portanto, uma espécie de improvisação em câmera lenta, no tempo da pintura, é claro, que é outro. O ajuste sempre ocorre muito mais nas cores, no claro-escuro e na modulação dos contornos: o jogo de desfocar e definir, tornar ambíguo, reiterar, etc.

Mauricio Piza, Variação sobre uma Bananeira, 2014, em processo, 1,50 X 2,00 m

Mauricio Piza, Variação sobre uma Bananeira, 2014, em processo, 1,50 X 2,00 m

Como dizia Juan Gris: “Até a conclusão do trabalho, ele [o pintor] deve permanecer ignorante da aparência final do conjunto”.

Essa tensão entre método e improvisação é algo que me interessa muito.

Jive on!